Vitamina D: medir ou não medir? – Empire Assessoria e Corretora de Seguros

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Vitamina D: medir ou não medir?

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Vitamina D é um dos temas controversos em medicina na atualidade. Tudo porque há um número cada vez maior de pessoas com “deficiência de vitamina D”. Quando se fala em deficiência, se fala em relação a um número tido como “padrão” ou “referência”.  A vitamina D é lipossolúvel que é em parte adquirida pela dieta e parte produzida pelo organismo a partir de uma substância presente nas camadas profundas da epiderme. Esta produção depende dos raios UVB. Estes raios são mais escassos no inverno pois dependem do ângulo de incidência da luz solar sobre a terra, e este é maior nesta época do ano. Tanto a vitamina D2 (ergosterol) ingerida, quanto a vitamina D3 (colecalciferol) produzida na pele ou ingerida vão ao fígado onde são transformadas em calcidiol (25(OH)D) que é metabolizado em diversos tecidos para chegar na forma ativa chamada calcitriol (1,25(OH)2D). A forma comumente medida nos exames é a 25(OH)D ou cacidiol. A vitamina D, na sua forma ativa, é importante na absorção do cálcio no intestino e nos rins para este poder fortalecer os ossos.
O valor de referência da vitamina D é motivo de muita discussão, assim como outros valores de referência. Estabelecer um valor “padrão” para diferentes populações e pessoas não é tarefa fácil. A vitamina D tem relação com a absorção de cálcio e, portanto, com o risco de osteoporose. Osteoporose em si não é um problema que tipicamente cause desconforto ou dor, embora seja algumas vezes confundido com osteoartose pela semelhança de nomes, mas pode aumentar o risco de fraturas. Isso é raro, e além da vitamina D, outros fatores de risco contribuem, como idade, peso, tabagismo e uso prolongado de corticoide.
Mas assim como outros fatores de risco, a vitamina D ganhou grande popularidade. Provavelmente pelo problema com os valores de referência que tornaram muitas pessoas “deficientes de vitamina D”, sem que houvesse necessariamente um respaldo científico. O documento que levou a comunidade científica a definir o valor de referência para Vitamina D (25(OH)D) foi publicado pela Academia Nacional de Medicina (antigo Instituto de Medicina) dos Estados Unidos da América em 2011 (Institute of Medicine.
Dietary reference intakes: calcium and vitamin D. Washington, DC: National Academies Press, 2011). Este estudo concluiu que seria possível considerar como nível adequado a partir de 20 ng/ml para a população geral. Mas outro estudo publicado ainda em 2011 sugeriu que o nível correto deveria ser 30 ng/ml e criou duas categorias: abaixo de 20 ng/ml seria deficiente e entre 20 e 30 ng/ml seria insuficiente.  Estes termos foram adotados, inclusive no Brasil, e muitos americanos e brasileiros passaram a ter deficiência ou insuficiência de vitamina D. Estas categorias careciam de respaldo científico e, na prática, para o paciente não havia grande distinção. Recentemente este estudo e seu principal autor foram acusados por uma investigação solicitada pelo The New York Times de serem parciais por receberem recursos de laboratórios que produzem vitamina D.
O valor de referência ainda é motivo de debate científico. Alguns autores defendem que mesmo a Academia Nacional de Medicina foi rígida interpretando os dados de forma equivocada e que o valor mínimo aceitável para pessoas de baixo risco seria 12,5 ng/ml. Recentemente a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, revendo os estudos disponíveis divulgou 20 ng/ml como novo valor de referência para a população geral saudável e manteve 30 ng/ ml para grupos de risco, como pessoas com osteoporose.
Posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia:
  • Acima de 20 ng/mL é o valor desejável para população saudável (até 60 anos);
  • Entre 30 e 60 ng/mL é o valor recomendado para grupos de risco, como: idosos, gestantes, lactantes, pacientes com raquitismo/osteomalácia, osteoporose, pacientes com história de quedas e fraturas, causas secundárias de osteoporose (doenças e medicações), hiperparatiroidismo, doenças inflamatórias, doenças autoimunes, doença renal crônica e síndromes de má absorção (clínicas ou pós-cirúrgicas);
  • Acima de 100 ng/mL: risco de toxicidade e hipercalcemia.
A recomendação oficial da Força Tarefa Norte Americana para Prevenção (USPSTF, na sigla em inglês), que tem uma rígida política para evitar conflitos de interesse entre seus membros, é de não incluir a vitamina D entre os exames de rotina por não ter estudos suficientes que respaldem tal medida.  Portanto, uma alimentação balanceada e atividade física regular são em geral suficientes para manter os níveis de vitamina D e os ossos resistentes.
Por: Seguros Unimed